Mesmo diante do movimento analógico de 2026, a gente adora questionar um senso comum…

Já apareceu no seu feed algum conteúdo de creator anunciando que vai abandonar as redes sociais, ou pelo menos fazer um detox? Esse movimento “New Year, New Detox” tá rolando forte na gringa e a jornalista Esme Hewitt, do New York Times, fez um vídeo falando sobre a dificuldade que a Gen Z e os “Zillenials” (quem têm idade pra ser Gen Z, mas dividem mais costumes com os Millenials) têm pra se desconectar.
Isso porque a gente não tá falando só sobre passar X horas por dia rolando o feed, mas também sobre usar o celular como GPS, dicionário, enciclopédia, câmera, diário, bloco de notas e, principalmente, pra se comunicar com a família e amigos.
A Esme narra uma situação, na legenda do vídeo, em que ela decidiu passar um fim de semana num chalé pra se reconectar com a natureza. No entanto, assim que chegou lá, ela já precisou do celular porque o código de acesso na porta de entrada tinha sido enviado pro seu email.
Bruno Alfano, repórter do Jornal O Globo, fez um experimento parecido há um tempo atrás, que durou mais tempo: ele ficou sete dias sem usar o celular pra nada, sendo que o desafio incluia não mexer no WhatsApp pelo computador, por exemplo. Vale muito a pena conferir a narração dele sobre a experiência, mas destaco um ponto alto muito positivo e um ponto baixo tragicômico: por um lado, ele conta que nunca se sentiu tão concentrado. Por outro, ele diz que enfrentou problemas como uma dívida de R$ 35 num estabelecimento que não aceitava cartão, apenas Pix.
Essas experiências confirmam o movimento de retomar a era do analógico em 2026, seja na tecpix que você resgata no fundo da gaveta pra levar pro rolé, até a preferência por ler um livro ao invés de passar tantas horas em frente a uma tela. O modo como você usa o Instagram também tá entrando em pauta, com muita gente querendo, ao invés de se desconectar, reassumir o uso da plataforma pra postar foto de comida e outros conteúdos que sejam menos produzidos e mais autênticos.
Claro que a fadiga por estarmos nas redes há mais de uma década influencia muito na decisão de quem quer dar uma desconectada. Mas parece que o rótulo de performático também tá fazendo uma galera acordar e se encontrar melhor com a própria autenticidade – aliás, falamos sobre esse termo e a importância de creators se preocuparem mais com a identidade dos seus conteúdos do que com engajamento. É aquela coisa: quando você abre um livro, é pra ler o conteúdo dele, ou pra postar que você tá lendo?
Como dizem as mães: você não é todo mundo.
Tudo isso pra dizer que, pra qualquer adulto em 2026, é muito difícil viver totalmente desconectado. A partir do momento que uma invenção surge e facilita sua vida, traz algum conforto, simplesmente não faz sentido não usá-la. Só que tem uso ativo e uso passivo, que é justamente o alerta que a gente faz sobre mau uso das redes. Então antes de achar que alguma “era de tal coisa” vai te pegar, pare e pense se você tá nesse barco.
Se a gente tem uma relação tão íntima com os smartphones hoje em dia, e dependemos deles pra tantas coisas que nos ajudam no dia a dia, porque essa urgência em sumir pro meio do nada, sem qualquer tipo de tecnologia? Parece fazer cada vez mais sentido começar a separar o que é uso de celular no geral e o que é uso de redes sociais. Dá pra ir pro meio do mato e avisar sua família que você tá bem, mandar uma foto pra uma amiga que já acampou com você há anos e aproveitar o Spotify ou YouTube pra colocar uma musiquinha pra tocar. Se no fim das contas você volta pras redes pra contar sobre essa experiência, será que então o detox não é sobre performar na volta, ao invés de se desconectar???
Observação rápida: se você segue no Instagram ou Tik Tok alguém da Geração Alpha, já deve ter estranhado que essa galerinha costuma não postar absolutamente nada no feed. Mas, nos destaques, sempre tem alguma foto de paisagem ou sombra misteriosa de si mesmo. De primeira, parece que os mais novos não usam as redes, mas olhando pro tempo de tela no celular de cada um, dá pra ver que eles usam muito, só não postam. Ou seja, todos os efeitos negativos como a falta de estímulo, a desatenção e a comparação estão ali presentes. Não vá pensando que as novas gerações são ‘mais evoluídas’ porque não estão nas redes, porque, na real, elas estão, só não do mesmo jeito que você.
Não só as horas que você acumula rolando o feed sem parar são prejudiciais ao cérebro – e também ao corpo, já que provavelmente você não tá se movimentando enquanto isso -, como o lance de se comparar com outras vidas, que muitas vezes sequer existem daquele jeito, fazem muito mal. Mas as redes também servem pra várias outras coisas, inclusive pra trabalhar, então não dá pra simplesmente querer virar bicho do mato da noite pro dia. Nem parece saudável radicalizar desse jeito. Nem todo mundo pode ou quer deixar por completo as redes sociais.
Quer colocar um limite no seu tempo de tela, mas não sabe como?
Começar é simples. Ao invés de tentar ficar longe do celular por completo e se frustrar a cada vez que for necessário usá-lo, separe o que é ferramenta comum do que é rede social.
E sempre que for postar alguma coisa, se pergunte: eu tô postando isso pra quem?