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Wrap Up SXSW: os destaques dos 4 dias de Creator Economy no festival 🎯

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Pra turma que não abre email de fim de semana, vem aí o resumão dos resumões

IA: você ainda vai ouvir falar muito sobre ela

Não tem como não começar com o testemunho do pastor da Creator Economy, Jim Louderback. Ele é criador e foi CEO da Vidcon, o maior evento do nosso mercado no mundo. Hoje ele é editor e CEO da Inside Creator Economy. Ele abriu a conversa com uma pergunta bem direta: o que acontece com creators humanos num mundo onde a IA consegue produzir conteúdo infinito?

Em inglês, o nome do painel é “From Who, to What, to You”, no que ele apresenta como 3 fases da Creator Economy: What (O quê): o mundo do YouTube, onde você seguia pessoas específicas e os creators estavam no centro; Who (Quem): o mundo do TikTok, onde o algoritmo começou a priorizar interesses, ao invés de creators; You (Você): com IA, agora o conteúdo pode ser gerado especificamente pra cada pessoa. Dois amigos podem abrir exatamente o mesmo app e viver versões completamente diferentes do que é a internet.

Se parece que a IA vai dominar a criação de conteúdo, olhe de novo, porque os creators que dominaram a tecnologia é que tão nadando de braçada. Esse é o conselho não só do Jim, mas de creators como o nosso parceiro Paulo Aguiar: se você teme ser dominado pela IA, domine-a antes que isso possa acontecer. De quebra, você pode encontrar um ótimo braço direito virtual pra liberar mais tempo na sua agenda.

O Jim chamou esse processo de aprendizagem sobre IA de um caminho pra se tornar um criador soberano. 

Porque a real é que a gente simplesmente não tem como competir com a Inteligência Artificial. Já existem creators 100% sintéticos, gerados por IA, de vendedores a artistas musicais. Eles não dormem, não ficam doentes, não têm bloqueio criativo ou tempo ruim. Inclusive, falamos no Portal YPX sobre o influenciador Khaby Lame, que vendeu sua “alma virtual” e agora tem um clone que vai estar vendendo coisas na internet 24 horas por dia. 

Se é impossível competir com IA em volume – e olha que ela ainda tem MUITO a desenvolver -, o lance é se agarrar à autenticidade. Ela ainda é o bem mais precioso no nosso mercado porque não pode ser copiada. Pro Jim, creators vão começar a demonstrar cada vez mais imperfeições DE PROPÓSITO. 

“A IA vai construir a fábrica. Ela vai produzir mais conteúdo do que a humanidade já fez, tudo ‘adequado’ e perfeitamente esquecível. Mas você é o erro no sistema. Você é a emoção que o algoritmo não consegue prever.”

Nosso pastor também cita que é fundamental proteger sua Propriedade Intelectual: ele prevê que os tais criadores soberanos terão seus próprios servidores e modelos de IA locais, onde treinarão a IA com seu próprio estilo, rosto e voz, garantindo que ninguém mais possa replicar aquele “tempero” específico.

Vale dizer que as marcas ainda confiam bem mais em um creator humano do que num sintético. Logo, esse momento é perfeito para construir confiança e estabelecer vínculos a longo prazo. 

Mas não é pra deixar TUDO na mão da IA, hein?
Braço direito é uma coisa, roteirista e pauteiro é outra bem diferente: os efeitos de deixar tudo na mão da IA passam desde o aumento nos sintomas de ansiedade e depressão até ver feeds repletos de conteúdos iguais. Zero autenticidade. 

Boa parte da Creator Economy, hoje, roda no mesmo padrão: encontrar uma trend > criar um gancho pra segurar atenção > postar com consistência > repetir o processo. Essa é a receita pra agradar o algoritmo. Mas você cria conteúdo pro algoritmo ou pra pessoas? As métricas não podem ser o objetivo final.

Se a IA pode fazer qualquer coisa agora… qual o ponto de criar conteúdo?Jack Conte é CEO e Co-fundador do Patreon, uma plataforma de mídia e comunidade onde creators oferecem aos seus maiores fãs acesso a experiências exclusivas. Ele fundou a empresa em 2013, motivado pela crença de que os creators devem ser remunerados pelo valor que agregam ao mundo e foi outro que apresentou um dos painéis mais impactantes do evento. 

“Se vamos designar pessoas pra descobrir como construir data centers no espaço, então devemos designar pessoas pra descobrir como pagar creators pelo trabalho deles.”

Aqui na YOUPIX a gente fala sobre como, mesmo sem perceber, tanto quem consome conteúdo nas redes quanto quem cria tá “trabalhando” pras plataformas. Isso porque elas estão crescendo e ganhando dinheiro com a atenção que a gente gera. Ou seja: quando uma plataforma não remunera o creator como deveria, ou sequer paga alguma coisa, é como se todo mundo trabalhasse pra enriquecer as plataformas – e não esqueça que, apesar de rolar o feed parecer “de graça”, a gente paga pra ter internet em casa e no celular. 

Jack lidera a equipe em sua missão de construir ferramentas que deem aos mais de 300 mil criadores do Patreon liberdade, independência e propriedade sobre seu trabalho e as comunidades que constroem. Desde o lançamento, o Patreon já repassou mais de US$ 10 bilhões para criadores.

Ele acredita que seres humanos querem consumir o trabalho criativo de outros seres humanos por muito tempo, discurso totalmente alinhado com o do pastor Jim Louderback, que aposta na autenticidade como grande diferencial dos creators daqui pra frente.  Ouvimos muito isso ao longo desse SXSW.

O intuito do CEO do Patreon não era tranquilizar ninguém, mas acionar o instinto de ação, ainda que creators estejam com medo. Pra exemplificar, ele deu uma verdadeira aula sobre a história da mídia e destacou que, sempre que surge uma novidade, a humanidade entra numa fase de “preguiça coletiva” que ele chama de slob. É meio que a parada que a gente fala sobre o pânico do rádio morrer quando a TV surgiu, depois da TV morrer quando a internet surgiu e por aí vai. A gente se encontra nesse momento de pânico com relação à inteligência artificial. 

A arte é escassez
Se a IA produz abundância infinita, ela desvaloriza o produto, mas valoriza o processo. Jack não prometeu que o medo vai passar, mas garantiu que, se você continuar criando coisas “difíceis” e “arriscadas” – as tais que a IA não faz -, você ainda terá um lugar, mesmo que o chão continue tremendo.

Bastidor YPX: Jack promoveu a venda por contexto
O Jack é um mestre do Branding de Salvação. Ele não precisou falar “Patreon” nenhuma vez porque ele passou a palestra inteira vendendo o problema que só a plataforma dele resolve.

Ele usa o medo da IA para criar uma urgência. Ao listar aquela metralhadora de tarefas que o criador tem que fazer hoje, ele reforça a dor. E qual é a solução implícita para essa dor? Sair da dependência das visualizações (que a IA vai canibalizar) e focar na escassez da relação humana — que é exatamente o que o Patreon monetiza.

Ele vende a ideia de que o Patreon é uma empresa “feita por artistas para artistas”. Isso é branding puro. Ele quer que você sinta que, ao usar a plataforma dele, você está fazendo parte de uma resistência cultural, e não apenas usando um processador de pagamentos.

Quando Jack descreve o caos da IA e a falência do modelo de distribuição (redes sociais), ele tá sutilmente empurrando todo mundo para o modelo de assinatura direta. O argumento é: 

“O mundo lá fora está pegando fogo, o algoritmo não te ama, a IA vai te copiar… então venha para o meu cercadinho onde seus fãs pagam direto para você e eu fico com uma porcentagem.”

A pós-verdade emenda nesse papo sobre IA
Realmente, os limites da inteligência artificial foram a grande pauta geral do evento, ainda que isso não esteja explícito no título de todos os painéis. A impressão por aqui é de que esse lance todo é como se a IA fosse uma manada de cavalos vindo com tudo pra cima dos creators, que estão com medo de serem pisoteados. Sorte a nossa que tem um montão de gente boa da Creator Economy ensinando a gente a laçar esses cavalos e montar em cima deles. 

E, como a gente aponta por aqui, o jornalismo precisa pular no barco da Creator Economy se quiser retomar o poder sobre a informação que caiu nas mãos do algoritmo. Agora, jornalistas precisam construir suas comunidades diretas pra sobreviver. E sim, de certa forma, se tornarem creators. Isso é fundamental, até porque…

Creators precisam ser mais responsáveis.

De primeira, a ideia desse título era “Creators precisam ser mais responsáveis com suas audiências”. Mas, no meio da escrita, a gente achou que valia destacar que o creator precisa ser mais responsável. Ponto. 

Todas as burocracias como emissão de NF e identidade digital já se tornaram coisas básicas na vida de qualquer creator. É o mínimo. Daí pra frente, várias outras responsabilidades surgem pra você se estruturar, até chegar no ponto de construir e cuidar da comunidade. Outra coisa que também virou básica pra 2026: enxergar seu projeto de conteúdo como uma empresa.

“Um eixo recorrente nos painéis é a transformação dos criadores em empresas de mídia completas. Cada vez mais, creators estão deixando de ser apenas talentos individuais e passando a operar como verdadeiros estúdios: desenvolvendo propriedade intelectual, lançando produtos, criando comunidades pagas e expandindo suas marcas para além das plataformas.”

Esse trecho é de um texto da Rafa pro Meio & Mensagem e vai de encontro ao que o Jim falou na palestra dele, sobre hoje em dia o creator ter muito mais acesso a estrutura, como na possibilidade de criar um “estúdio Netflix” em casa, tipo de tecnologia que antes era completamente inacessível para uma pessoa comum que criava conteúdo. 

Um case muito maneiro que a gente conheceu é o da creator Grace Wells que, logo nos fixados do seu TikTok, mostra o processo criativo de uma baita campanha que ela fez usando bons equipamentos, lógico, mas apostando principalmente no olhar criativo. E tudo feito em casa. 

Ela é cineasta e creator em Nova York e ficou famosa por sua série viral no TikTok, “Making Epic Commercials for Random Objects”, onde ela pega objetos comuns e os transforma em peças cinematográficas dignas de marcas de luxo, usando técnicas de baixo custo – exatamente um exemplo desse vídeo que falamos ali em cima. 

Grace se formou na faculdade no meio da pandemia e trabalhava como garçonete. Como ela gostava de fotografia, mas não tinha tempo, começou a fazer o que podia com os “modelos” que tinha na mão – tipo um garfo de ouro. Em cerca de 5 anos, ela fundou o PFStudio, um coletivo de creators comerciais e a Product Film School, onde ensina creators a profissionalizarem sua produção visual. A ideia é mostrar como a criatividade e a técnica superam orçamentos milionários. 

Mas, pra isso, é preciso se enxergar como negócio e estruturar uma empresa. Por isso, um conselho valiosíssimo desse SXSW é: Pegue o dinheiro dos primeiros publis e reinvista.

Os palestrantes bateram muito nessa tecla porque, no ecossistema de conteúdo, a obsolescência é rápida. Se você não reinveste pra profissionalizar a entrega, fica refém da sua própria capacidade física de produzir tudo sozinho.

O creator brasileiro médio ainda trata seu projeto de conteúdo como um bico que deu certo. Ter estratégia é a diferença entre ser um operador de rede social e um dono de mídia.


✨ Insight do Sebrae ✨

O SXSW destaca as marcas que se comportam de forma mais humana. Isso passa por escuta ativa, sensibilidade para interpretar comportamentos e atenção ao que está acontecendo nas redes, nos hábitos e nas conversas das pessoas. Mais do que tecnologia, trata-se de conexão e entendimento real do cliente. Ao mesmo tempo, cresce a força das microcomunidades intencionais, em que o consumidor não busca apenas produtos, mas identificação e pertencimento. 

Nesse cenário, os pequenos negócios têm uma vantagem estratégica: por contar com uma maior proximidade com os clientes e agilidade no processo de decisão. No dia a dia, isso permite adaptar rapidamente sua comunicação, testar abordagens e oferecer experiências com mais cuidado e personalização. Isso representa uma oportunidade concreta de transformar clientes em comunidade, fortalecer vínculos de confiança e construir um crescimento ainda mais consistente e sustentável.


Networking, not working.

Manychat promoveu um espaço para creators criarem e se conectarem, e pra marcas pavimentarem uma possível parceria. E tinha comida, bebidinhas, palestras e rodas de conversa, e tudo mais que um sabadão merece. Uma verdadeira casa dos creators <3

De quebra, a Rafa teve a oportunidade de encontrar o Jim Louderback passando por ali! O encontro de milhões da Creator Economy.

Dentre os creators presentes, é lógico que a gente vai destacar o trio que chegou com o molho brasileiro: nossa CEO, Rafa Lotto; o creator especialista em IA, Paulo Aguiar; e o Galileu Nogueira, expert em branding. O trio participou de um “Me pergunte o que quiser” e foi um encontro muito maneiro, mais legal ainda por ter rolado um intercâmbio de culturas. 

É muito legal ver como o pessoal na gringa admira a criatividade brasileira, dá mais confiança pra gente se mostrar de verdade! E, o mais importante, é o exemplo prático de que a gente não precisa só aprender com o que tá lá fora, porque também temos um montão de coisas pra ensinar. 

“Durante o SXSW, recebemos criadores de conteúdo brasileiros e americanos em nosso Creator Hub & Club em Austin para um momento de conexão intercultural. 

Foi muito interessante perceber como, independentemente do nicho, muitos creators estão lidando com desafios semelhantes, desde o cansaço com a dinâmica dos algoritmos até a pressão constante para produzir. Ao mesmo tempo, ficou claro que a autenticidade continua sendo o principal ativo para construir conexões reais com a audiência. Também ouvimos muito sobre a importância de manter espaços para experimentar, arriscar e testar novos formatos. Para nós, é motivo de grande orgulho poder atuar como meio de conexão para a comunidade de criadores ao redor do mundo e fomentar essas trocas que fortalecem toda a Creator Economy.”

Flávia Rosário 
General Manager da Manychat no Brasil

Também rolou uma ativação muito maneira produzida pelo craque Paulo Aguiar, em que você mandava uma foto sua pra DM do Manychat, e recebia um vídeo criado por IA de você gigante invadindo Austin.

A gente usa o Manychat bastante aqui na YOUPIX porque ele ajuda a aumentar o engajamento e, principalmente, a melhorar a nossa interação nos conteúdos. Ele funciona como um prolongamento do post, porque ele automatiza o envio de uma DM pra quem comentar um termo específico no vídeo – é assim que a gente faz pra enviar o link dos nossos reports, por exemplo!

E, caso você ainda não conheça a plataforma, a gente pediu pra eles liberarem o cupom SXSW 2026 pra você ficar por dentro dessa ferramenta em primeira mão. São 30 dias de graça, hein? Aproveita:


Relação entre marcas e creators: o longo prazo funciona mesmo?

Já faz tempo que o creator se tornou uma das peças centrais da comunicação. É ele quem traduz a mensagem da marca pra uma comunidade específica. E o Jim Louderback já cantou essa bola: a audiência sabe quando o creator tá forçado. A perfeição agora gera desconfiança (artificialness) e as marcas que exigem roteiros engessados estão, literalmente, sabotando o próprio investimento. 

O modelo de “uma marca gritando pra milhões” acabou. A influencer Jenny Penich argumentou que um creator é um curador de contexto. Ao contratá-lo, a marca não está comprando visualizações, mas a permissão pra ser ouvida.

“Na publicidade você paga para interromper a conversa, no marketing de influência você paga para fazer parte dela.”

Enquanto uma campanha isolada é um evento; uma parceria de um ano é um ecossistema. O creator gera descoberta, ganha confiança da audiência, valida a compra e mantém o cliente fiel por meio do uso real no seu conteúdo diário. O marketing vira um ciclo de retenção. 

A internet tá muito barulhenta – seja pela necessidade de chamar atenção a qualquer custo nos primeiros 3 segundos, ou pela quantidade de vídeos gerados por IA que não marcam a audiência, só passam pelo feed. Campanhas únicas são a mesma coisa: barulho. Parceria de verdade é quando o creator tem um lugar à mesa na estratégia da marca. 


Gen Z e Gen Alpha: como impactar quem já nasceu digital?

Pra sobreviver na Creator Economy de hoje, a gente precisa entender: tudo o que a gente chama de “digital”, pras gerações mais novas é nativo. A gente tá falando de uma geração que cresceu usando as primeiras redes sociais (Z) e outra que nasceu, literalmente, dentro da Creator Economy (Alpha).

São mais de 2,2 bilhões de pessoas  que acompanham creators desde pequenos, então o poder de influência é real. Uma recomendação não parece publicidade, mas sim, uma dica sincera de alguém que faz parte da sua comunidade.

Andrew Yohanan, estrategista da Kantar, foi além e falou sobre a análise que mostra como a Gen Z está mudando a lógica do capitalismo individualista para o capitalismo da comunidade. Um estudo que partiu da premissa econômica de que a Gen Z foi “passada pra trás”: com salários estagnados e o custo de vida (principalmente de moradia) altíssimo, o “Sonho Americano” tradicional ficou inacessível.

Se o sistema não funciona para o indivíduo, eles recorrem ao… coletivo.

E é assim que a Gen Z está distribuindo seus custos de vida entre amigos, familiares e outros tipos de comunidade: dividir casa entre amigos, fazer compras de mercado em atacado com vizinhos e até compartilhar senha de streaming tá nesse bolo.

A partir do estudo de comportamento, Andrew chama atenção para o que deve ser a nova estratégia das marcas. Ao invés do clássico “Compre agora!”, a marca ganha pontos dizendo “Sabemos que você está economizando, então aqui está como fazer nosso produto durar mais” ou “Aqui está como dividir esse custo com 3 amigos”.

Além dessa estratégia de ser mais acessível, vale destacar que essas gerações desenvolveram um radar muito sensível pro marketing forçado, por isso, as marcas precisam abrir mão do controle total das narrativas, porque creators contam histórias melhor do que elas sozinhas.


Newsletter, podcast, Instagram e YouTube: por onde começar?

Creators precisam agir como empreendedores e, se não souberem por onde começar, aqui vai uma dica de ouro: a newsletter pode ser a porta de entrada pra construir uma media company. Ela funciona pra construir uma base própria de leitores e pavimentar o caminho de expansão pra podcast, eventos, comunidade, produtos e novas formas de monetização. 

Um bom exemplo brasileiro é a Bits to Brands, que nasceu como uma newsletter e hoje é uma baita media company. 

Aqui na YPX, a gente diz que construir toda a sua audiência em apenas uma plataforma é como erguer sua casa em um terreno alugado. Não parece um bom negócio. 

As News funcionam como uma alternativa a essa dependência, porque a audiência será totalmente sua. Não depende de algoritmo, ou sobre viralizar a todo custo. Quem tem o controle da audiência, também controla o negócio. Sobre monetização, ela pode vir de patrocínio, assinatura, produtos e até eventos. Tudo depende do quão fiel é a sua audiência que, quase sempre, também vai ser sua principal fonte de crescimento (famoso boca a boca, né).

Em paralelo à news, o novo Co-CEO do Spotify, Gustav Söderström, lotou a sala do seu painel e apontou que o podcast pode ocupar, hoje, um lugar parecido com o do blog: agora que é acessível para produzir e explodiu de ouvintes, ficou superlotado. Pra se diferenciar, as dicas da plataforma são: elabore a produção; pense em formatos narrativos mais criativos; e aposte nos videocasts, que naturalmente se diferencia pelo formato e cortes viralizam no que pode funcionar como uma “porta de entrada” pro trabalho do creator. 

Instagram e YouTube: o que um creator precisa fazer nos primeiros 90 dias
A Rafa ficou amarradona numa palestra que prometeu E ENTREGOU TUDO MESMO: Simplesmente executivas do Instagram, do Snapchat e do YouTube subiram juntas no palco pra dar dicas sobre o que um creator deve fazer nos primeiros 90 dias nessas plataformas. No Wrap Up, vale um resumo bem rápido de cada uma:

Instagram: recorrendo ao bom e velho funil
Imagina cada formato dentro de um funil de conteúdo. O reels é o topo do funil, o principal formato pra alcançar pessoas que ainda não te seguem. O objetivo, nesses primeiros três meses, é testar formatos, ganchos, estilos de vídeo e temas diferentes. 

Tanto os stories quando a DM representam o fundo do funil. É aqui que se constrói e aprofunda o relacionamento com a audiência. Por isso, é importante responder comentários e DMS, provocar com enquetes e perguntas nos stories e pedir a opinião da audiência.

YouTube: a biblioteca na internet
Cerca de 50% do watch time orgânico vem de vídeos com mais de 90 dias. Ou seja, o conteúdo continua sendo descoberto meses ou anos depois. Você também não precisa postar todo dia lá, porque o mais importante é ser previsível (definir a sua frequência semanal e sempre postar nos mesmos dias e horários).

Os Shorts são uma ótima porta de entrada pra quem tá começando: são conteúdos fáceis, rápidos e o formato já é conhecido dos creators. Já os vídeos longos servem pra aprofundar os temas. É aqui que se constrói autoridade e fideliza a audiência.

O resumo desse painel não foge da cartilha básica do creator: é preciso constância em um ritmo sustentável; encontrar seu nicho, trazendo assuntos de um ângulo específico; e disciplina na hora de interagir com a comunidade e analisar as métricas. Essa é a diferença entre postar e construir carreira.

E se eu já comecei… não tenho outra chance?
Charlie Engelman é um creator e comunicador científico que passou sete anos tentando fazer carreira na internet, até que encontrou seu lance com o perfil Odd Animal Specimens, um canal dedicado a analisar animais preservados (tipo em um fóssil) e contar a história daquele ser. 

O curioso do Charlie é que ele foi apresentador da série Weird But True! da National Geographic, então você pode se questionar como ele não “deu certo” antes, se tinha uma baita estrutura e um canal grande por trás. Acontece que nem um nem outro são garantias de sucesso. 

O segredo pra ele se encontrar foi dar um grande reset no seu conteúdo, literalmente. Ele decidiu começar do zero. Segundo o insight da nossa correspondente Ale Miranda, o grande passo de Charlie foi desapegar de ser um “apresentador de TV no YouTube” (mesmo que premiado pelo Emmy) para se tornar um “cientista de retenção”.

O tema que ele aborda é diferente, peculiar, mas até aí ele já fazia isso. Ou seja, o problema não era o conteúdo em si, mas talvez o formato. Ele criou uma identidade própria: fundo azul, luvas, um espécime real de animal preservado e uma história curiosa sobre aquele ser vivo.

Ainda, ele é calminho, acreditam? Um tapão na cara da turma que se desespera pra chamar atenção nos primeiros 3 segundos de vídeo. Não precisa de palhaçada ou de se colocar em perigo. Só precisa ser interessante de verdade. 

Mas eu já comecei, já me reinventei e ainda sou desinteressante! Então saiba como mudar isso 👇
O painel do Matt Klein, que atualmente é o Head of Global Foresight no Reddit, falou sobre como Marcas estão criando conteúdo para algoritmos, não para pessoas. Enquanto tentam parecer descoladas, soam artificiais e invasivas.

Ele começa fazendo o diagnóstico de que nem toda trend é certeira como parece, muito fica no imaginário e no senso comum. E aí se marcas e creators tão sendo reféns de algoritmo, a audiência fica desamparada. Mas não desesperada.

O Matt é enfático: comunidades não precisam de marcas. As marcas é que precisam de comunidades. E a maioria delas entra em comunidades gritando com um megafone: “Olhem como eu sou legal! Comprem meu produto!”, mas isso gera repulsa. Em vez de tentar ser o centro das atenções, como a marca pode realmente ajudar a comunidade? 

O Creator é o tradutor oficial dessa dinâmica. Ele já é um membro nativo da comunidade. E não se trata do alcance da campanha, mas de quantas pessoas daquela comunidade aceitariam a marca de volta em um segundo encontro.


Bora de YPXflix?

Se mesmo depois do resumão dos resumões, o famoso Wrap Up, você ainda tá com FOMO de não ter ido no SXSW… que tal fazer um YPXflix?

Nossos correspondentes Rafa, Ale e Luiz (sem esquecer da maravilhosa Gabi, que tava cobrindo toda a parte de empreendedorismo) gravaram diariamente uma conversa sobre os principais insights do dia. 

São 4 vídeos no nosso YouTube pra você ouvir direto da boca de quem esteve lá. E ano que vem tem mais! Até a próxima e valeu por acompanhar o SXSW com a gente <3 


Fica de olho no @instayoupix pra acompanhar o desdobramento dos principais insights que a gente aprendeu nesses dias de Creator Economy no SXSW. Vai ter post, vídeo, citação, tudo pra você tirar 2026 de letra.

E, pra você que esteve com a gente nesses dias… um valeu mais do que especial por acompanhar nosso trabalho ❤️

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