A Creator Economy brasileira vive um momento de transformação, e um dos movimentos mais relevantes é como creators LGBT+ se consolidaram como vozes estratégicas nas marcas. Não é mais sobre campanhas de junho. É sobre como empresas entendem autenticidade, representatividade e conexão real com audiências.

Autenticidade Como Moeda de Valor
O público digital sabe identificar discurso vazio de longe. Quando uma marca trabalha com creators LGBT+, não tá só “alugando” espaço, tá acessando uma relação de confiança construída ao longo de anos entre creator e comunidade.
Essa autenticidade aparece nos números. Creators LGBT+ costumam ter taxas de engajamento acima da média porque suas audiências reconhecem uma voz genuína. A narrativa pessoal, as vivências compartilhadas e a vulnerabilidade estratégica criam vínculos que vão muito além de entretenimento superficial.
Da Representação à Estratégia de Negócio
O mercado evoluiu. Se há alguns anos presença LGBT+ em campanhas era “ousadia”, hoje é inteligência de mercado. O poder de consumo da comunidade LGBT+ no Brasil movimenta bilhões por ano e ignorar esse público é deixar dinheiro na mesa.
Mas tem outra camada aqui: creators LGBT+ não são só embaixadores. Eles viraram consultores estratégicos, educadores de marca, tradutores culturais. São eles que apontam deslizes, calibram linguagem, indicam quando um posicionamento soa forçado.
O Fim do Rainbow Washing
A audiência digital cansou de ver arco-íris em junho e silêncio em julho. Rainbow washing — quando marcas fingem apoiar a causa LGBT+ só pra surfar na onda comercial — tá cada vez mais exposto.
Creators LGBT+ são os primeiros a chamar essa incoerência. Eles cobram postura consistente ao longo do ano, contratos dignos, respeito às narrativas e, principalmente, ações concretas de inclusão dentro das próprias empresas.
Micronichos e Especialização
Dentro da comunidade LGBT+, tem vários micronichos com linguagens e necessidades específicas. Creators trans falam pra uma audiência diferente de quem acompanha drag queens. Casais homoafetivos constroem narrativas diferentes de creators solo.
Marcas inteligentes entendem que não existe “o público LGBT+” no singular. São múltiplas comunidades que se cruzam por raça, classe, geografia, identidade. Cada creator traz não só sua audiência, mas toda uma rede de significados culturais.
Desafios e Resistências
Trabalhar com creators LGBT+ ainda significa, em muitos casos, enfrentar backlash. Marcas conservadoras hesitam, anunciantes temem boicotes. Mas os dados mostram o contrário: campanhas inclusivas bem executadas ampliam público em vez de reduzir.
Creators LGBT+ desenvolveram uma habilidade única de lidar com hate e transformar em engajamento positivo. Sabem quando responder, quando ignorar, quando usar humor como escudo. Essa resiliência digital é um ativo valioso.
O Futuro É Plural
A nova geração, Gen Z principalmente, trata diversidade não como diferencial, mas como padrão esperado. Pra eles, marcas que não dialogam com creators LGBT+ não são corajosas, são desatualizadas.
O movimento é irreversível. Creators LGBT+ não pedem mais permissão pra ocupar espaços. Constroem seus próprios impérios digitais, ditam tendências, pautam conversas. As marcas que entenderam isso investem não em campanhas, mas em relacionamentos de longo prazo.
Porque no fim, a potência de creators LGBT+ não tá só nos números, tá na capacidade de transformar narrativas, desafiar normas e construir um mercado onde todos têm espaço pra existir e prosperar.
Allyson Petrech
Fundador e diretor comercial da ORI Creators Network. Formado em Produção Publicitária pela CESCAGE-PR e pós-graduando em Creator Economy pela ESPM-SP. Trabalha há mais de 6 anos conectando marcas a talentos criativos, com foco em gestão executiva, comercial e desenvolvimento de carreira de creators.
LinkedIn | Instagram | ORI Creators
Fontes:
Out Leadership – LGBT+ Economic Power
Forbes – How LGBTQ+ Creators Are Changing Marketing
Harvard Business Review – The Business Case for LGBTQ+ Inclusion
Meio & Mensagem – Creators LGBT+ e Marcas
Propmark – Orgulho e Consumo