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Criadores ou distribuidores de conteúdo?

Posts igualmente cansativos fazem os creators serem cada vez menos criativos

Ilustração: Brian De Graft (BD Graft)

“Hoje, abrir as redes sociais é ver uma enxurrada
de publicações que o ChatGPT escreveu.”

Senhorita Bira, do canal de análises semióticas e sociológicas “O Algoritmo da Imagem”, alertou para o abuso da inteligência artificial nos conteúdos publicados na internet. Ela continua o raciocínio dizendo que, se antes tinha gente que achava tosco o termo criador de conteúdo, agora é bem pior, porque não passam de distribuidores de conteúdo.

“Precisamos falar sobre isso” e os carrosséis que analisam comportamentos, moda, música, filmes e até as próprias redes sociais já nos esgotaram. Sobrou paciência só pra acompanhar stories de quem você é amigo, hater ou fã – para e pensa na sua rede, você vai encaixar todo mundo em algum desses três rótulos. 

Quem ainda leva um bom espaço da nossa atenção são os vídeos, porque você não precisa fazer o esforço de ler, e é só rolar a tela pra eles irem aparecendo infinitamente. E muita gente que trabalha com internet – ou tá tentando a sorte – ainda vê a criação de conteúdo como um jogo de peteca: não pode deixar ela cair. É sempre a busca pelo viral, a pessoa vai entrar em todas as trends e, se possível deixar o máximo de trampo na mão da IA, ela também vai apelar pra esse recurso. Por que analisar, opinar, formatar e postar, sendo que o ChatGPT faz isso pra mim em segundos, e de quebra eu ainda aumento meu engajamento? Simples. Porque a gente é humano. 

O que acontecerá quando os conteúdos de IA flodarem o nosso feed?

Por um lado, a gente realmente não vai mais saber o que é real e o que não é. Mas isso tem um efeito consequente até interessante: se ninguém acredita em mais nada, as fake news morrem, porque perdem o bait

O grande lance da desinformação é confundir as pessoas que ainda tentam se nortear pela verdade e pelo real. A partir do momento que se torna impossível confiar em qualquer conteúdo, é como se a gente “zerasse” a internet. O problema é que esse cenário – até meio distópico – só rola se todo mundo desconfiar de tudo. Se um grupo de pessoas, qualquer que seja ele, ainda achar que a verdade rola no feed, vai ser facilmente manipulado. 

No SXSW deste ano, o Jim Louderback, que é conhecido como o pai da Creator Economy, questionou o futuro dos creators humanos, num mundo onde a IA já consegue produzir conteúdo infinito. 

Apesar do medo que bate na gente, ele mostra como a solução não é mirabolante, ou inacessível, ou depende de rios de dinheiro e mais tecnologia: basta provar que você é um humano e seu conteúdo é real. Pro Jim, os erros e vacilos vão se tornar um diferencial dos creators humanos frente às IAs. Afinal, a gente já chegou ao ponto de não conseguir bater de frente com elas em volume de conteúdo, então não adianta dobrar a meta de postagem. É preciso parar, pensar e focar no que vem de dentro, carregado de autenticidade e gera uma identificação imediata com a audiência – que também é humana.

“A IA vai construir a fábrica. Ela vai produzir mais conteúdo do que a humanidade já fez, tudo ‘adequado’ e perfeitamente esquecível. Mas você é o erro no sistema. Você é a emoção que o algoritmo não consegue prever”, Jim explica.

Como criar, ao invés de distribuir

Esse post já apareceu em algum cantinho da YPX News, mas, de tão bom, merece ser mais visto: o creator Luan Botelho disse que “as pessoas mais interessantes que conhece não são creators, mas curiosas que têm repertório sobre assuntos que não têm nada a ver com o nicho delas”.

Aí você me diz “mas poxa, eu aqui me esforçando pra nichar e você dizendo pra eu fugir disso?” Mais ou menos. O que acontece, segundo o Luan, é que é justamente essa “fuga” que faz o conteúdo se tornar magnético. 

Isso porque, de tanto repetir o mesmo assunto e replicar as mesmas falas e conteúdos, a pessoa cansa dela mesma – por consequência, a audiência cansa junto. Esse trecho do carrossel do Luan é incrível e resume bem a história:

@luanbotelho_/Instagram

A YOUPIX discute incessantemente a diferença entre creators, influenciadores, celebridades e parece que, agora, chegou mais uma persona pra conta, os tais distribuidores. Fato é que, pra se destacar de verdade, é mais simples do que parece, como disse o Jim: basta ser autêntico e expor suas imperfeições. Leia livros, aprenda coisas novas, veja filmes, saia por aí, converse com outras pessoas e aumente o seu repertório. Quando a gente fica muito sem saber o que postar, é porque tá faltando insumo criativo. 

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