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Entre in-house e agência, ninguém disse que era preciso escolher

Por Rafael Guaranha, diretor de Marketing, Creative Strategy e Social Media da 99

Ontem assisti, no Rotonde Stage, em Cannes, à palestra “Inside Out: In-house or agency?”, que trouxe uma discussão entre o modelo in-house e o modelo de agência. Na rodada estavam: David Lee (chief brand and creative officer da Squarespace) e Judy John (global CCO da Edelman), com mediação de Rei Inamoto (founding partner da I&CO). Cada palestrante recebeu três provocações para discutir e expor suas perspectivas. Foi uma conversa especialmente rica para mim, que já opero um modelo híbrido, uma outra alternativa que sequer foi explorada na palestra. Ela me serviu para reforçar certezas e repensar algumas decisões futuras. E, pra mim, equilibrar esses dois modelos vem sendo a melhor opção.

O in-house traz proximidade do negócio e conhecimento do business, a agência traz olhar externo, especialização e capabilities dificeis de ter dentro da corporação. Querer só um é abrir mão da força do outro. A discussão escalou para vários âmbitos, e um deles foi o propósito de se ter um time in-house ao invés de uma agência. Em geral, a escolha é guiada pelo custo, e essa é a razão errada, porque não sai mais barato. Outra perspectiva, essa não explorada, geralmente é pela escalabilidade. Fazer mais, sempre mais e, geralmente, do mesmo. Não se deve internalizar para economizar. O capital humano qualificado é caro, e trazer as pessoas certas para o desafio criativo é absolutamente necessário. Por isso, a pergunta que importa é outra: qual é o propósito? No caso da 99, equilibrar esses dois modelos exige uma “colaboração radical”, que tem tudo a ver com a nossa cultura enquanto companhia.

O Creative Hub da 99, um dos exemplos desse terceiro caminho, o híbrido movido à colaboração, funciona como uma célula de especialistas multidisciplinares que gerencia o ecossistema criativo, equilibrando capacidades internas e externas, algo enraizado no nosso jeito de trabalhar. O híbrido também traz complexidades novas, é verdade, mas funciona quando se apoia em três frentes: o propósito claro da área, o time qualificado (interno e externo) e a transparência de responsabilidades. Cada um sabe o seu espaço, sem competição, todos remando para o mesmo objetivo, do encantamento ao pragmático. Cannes provoca essa reflexão, e a minha é simples: esse é um dos raros casos em que podemos escolher o melhor dos dois mundos.

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