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Saudade da locadora: por que esquecemos filmes e álbuns?

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O algoritmo nos indica ótimos títulos que a gente provavelmente vai gostar, mas esconde vários que a gente esqueceu que existem

A última locadora que tenho memória de existir, ali pelo início dos anos 2010, já tinha mudado pra um ponto bem menor e, a partir dessa época, parecia lucrar mais com aluguel e venda de games do que com a locação de filmes. Mas era um ato saboroso ir até lá, pensar no filme que eu gostaria de ver mais uma vez, nas novidades que eu ia encontrar, na troca de ideia que eu ia ter com o moço da locadora… sem contar que quem me levava era meu pai. Um bom programa em família. Entrar numa locadora era explorar um mundo novo, enquanto, hoje, as plataformas nos devolvem apenas o que já somos.

Hoje, por vezes eu demoro quase 1 hora pra escolher um filme pra assistir. Às vezes até desisto de ver, porque já ficou tarde. E, ao mesmo tempo que o algoritmo nos sugere vários títulos que eu acabo gostando, eu tô refém do que ele tá me entregando ali. Não tem como eu julgar os filmes pela capa, ou bisbilhotar o que outra pessoa tá escolhendo. Caímos em um grande paradoxo de termos mais opções de escolha – principalmente se levarmos em conta ótimos filmes internacionais de fora do eixo inglês -, enquanto nos sentimos travados pela ansiedade da decisão. A BBC escreveu um artigo sobre isso:

A psicologia define isso como “o paradoxo da escolha”: quanto mais opções temos, mais difícil é escolher, e menos satisfeitos ficamos com a decisão. Esse fenômeno foi descrito pelo psicólogo Barry Schwartz. Ele defendia que o excesso de liberdade pode ter efeitos adversos sobre o nosso bem-estar. Em vez de nos deixar mais felizes, uma abundância de opções tende a nos bloquear, frustrar e provocar a sensação de que poderíamos ter escolhido melhor.

Eu esqueci do que eu amava. 

O primeiro CD que eu ganhei na vida foi o primeiro álbum dos Tribalistas, lançado em 2002. Eu me lembro pouco da época, mas achava aquelas músicas incríveis. Assim como esse, eu tinha vários outros CDs que colecionava e guardava em porta-CDs, na estante e tinha o maior prazer do mundo em organizá-los por tema, por gênero, pela cor da capa, por artista, em ordem alfabética… cada hora era uma coisa. 

O que eu não lembro é a última vez que escutei esse álbum inteiro de uma vez. Sempre penso em alguma música e ponho ela pra tocar, mas ou ela dá sequência a alguma playlist, ou o algoritmo da plataforma me joga pra outras faixas, de outros artistas. Quando eu tô a fim de ouvir um mix, isso funciona muito bem! Mas, via de regra, o algoritmo vai mandar o que a gente já gosta de ouvir. Como fica o espaço pro novo?

Eis que eu passo em frente a um sebo…

3 DVDs por 10 reais. Vários livros, filmes e CDs por 1 real. O que se compra com 1 real hoje em dia? Encontrei um DVD original de um show do Queen em Montreal nessa promoção, assim como o filme “Como Se Fosse a Primeira Vez” lacrado. Ainda trouxe pra casa “Diamante de Sangue”, que eu nunca tinha visto. Foi uma experiência que me transportou diretamente pra cena da locadora com meu pai e me trouxe um quentinho no coração imediato. 

Assim como a Gen Z tá resgatando as tecpix pra fotografar rolês, parece que os CDs e DVDs tão começando a ocupar o mesmo lugar saudosista que hoje reside o Disco de Vinil. No entanto, o hype dos LPs é uma brincadeira difícil de acompanhar: um álbum qualquer vai custar no mínimo uns 30 reais, fora que você precisa ter uma vitrola pra tocar. Esse negócio de vitrola eletrônica… aí é melhor ficar na caixinha de som pra manter a qualidade. 

A vantagem dos CDs e DVDs é que ainda é fácil encontrar, em casa mesmo, um rádio antigo que funciona, ou um notebook com entrada pra disco. Qualquer vídeo game serve também, e vamos combinar que um Play2 é muito mais charmoso do que aqueles aparelhos de DVD antigos. Outra facilidade é que, se organizar direitinho entre o povo do desapego e os saudosistas, vai ter uma porrada de título bom sendo doado pra quem tá doido pra resgatar mais essa essência analógica no consumo de mídia. 

A era do streaming custa caro

Em 2026, pra assinar os 5 streamings mais populares no Brasil, você vai desembolsar algo em torno de R$ 172 por mês – lembrando que há descontos em planos anuais, em primeiras assinaturas ou em épocas como a Black Friday. Só que você não assiste um filme em cada um desses streamings todos os dias, né? Uma boa tática, adotada aqui em casa, foi assinar só um streaming por vez. Além de podermos optar pelas versões sem anúncios, que são mais caras, isso faz com que a gente se concentre no catálogo disponível e, em paralelo, já vá somando em outras plataformas os títulos que queremos ver. Deu 30 dias, a gente troca.

Outra alternativa, que funciona ainda melhor pra quem não é tão cinéfilo, é aproveitar essas promoções dos sebos: no que eu visitei por acaso, 30 reais compram 9 títulos. Dá pra você assistir 2 por semana e ainda sobra um extra no mês. O melhor é que, depois de ver todos, você pode ir em outro sebo e tentar fazer negócio, porque os filmes são seus, não das plataformas. Dependendo do lugar, você renova os títulos e não paga nada por isso. 

Mas o que vale mesmo é investir na música. Meu disco preferido da vida é o show da Ivete Sangalo no Maracanã, em 2006. Na época, um amigo mais velho me presenteou com uma cópia pirata do CD, mas meu sonho era o álbum original, com capa especial e tudo mais. Comprei por 7 reais em um sebo, 20 anos depois, por um valor impensável na época de lançamento. Se você tá no carro dá pra ouvir, e se descolar um rádio em casa (ou em algum sebo rs), também rola. 

Na rua, a gente vai continuar ouvindo online, até porque os podcasts também merecem um espaço nos nossos ouvidos – e um discman em bom estado deve ser caríssimo, se é que dá pra encontrar ainda. Mas, só de ter um catálogo de CDs em casa que você pode olhar, pegar e viajar nos artistas, você já vai estar treinando seu cérebro a furar a bolha que o algoritmo te mantém preso. 

É usar a internet ativamente, buscando novas coisas e estimulando o algoritmo a entrar no seu ritmo, ao invés de se acomodar nas mesmas sugestões que ele sempre manda. Treinar o cérebro pra gente não cair no esquecimento de quem, um dia, fomos.  

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