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Último dia de SXSW: Se a IA pode fazer qualquer coisa agora… qual o ponto de criar conteúdo?

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Se a IA pode fazer qualquer coisa agora…
qual o ponto de criar conteúdo?

Jack Conte, CEO e Co-fundador do Patreon

Essa frase é do Jack Conte, CEO e Co-fundador do Patreon, uma plataforma de mídia e comunidade onde creators oferecem aos seus maiores fãs acesso a experiências exclusivas. Ele fundou a empresa em 2013, motivado pela crença de que os creators devem ser remunerados pelo valor que agregam ao mundo. 

Aqui na YOUPIX a gente fala sobre como, mesmo sem perceber, tanto quem consome conteúdo nas redes quanto quem cria tá “trabalhando” pras plataformas. Isso porque elas estão crescendo e ganhando dinheiro com a atenção que a gente gera. Ou seja: quando uma plataforma não remunera o creator como deveria, ou sequer paga alguma coisa, é como se todo mundo trabalhasse pra enriquecer as plataformas – e não esqueça que, apesar de rolar o feed parecer “de graça”, a gente paga pra ter internet em casa e no celular. 

Jack lidera a equipe em sua missão de construir ferramentas que deem aos mais de 300 mil criadores do Patreon liberdade, independência e propriedade sobre seu trabalho e as comunidades que constroem. Desde o lançamento, o Patreon já repassou mais de US$ 10 bilhões para criadores.

O Jack compartilha com o público que também tem esse sentimento que soa como uma “desesperança existencial”. 

Mas ele também acredita que seres humanos querem consumir o trabalho criativo de outros seres humanos por muito tempo. Alô pastor da Creator Economy Jim Louderback, corre aqui por favor? Não só ele, mas muito se falou ao longo desse SXSW sobre a importância da autenticidade humana, e como esse fator é o grande diferencial dos creators frente ao conteúdo infinito gerado por IA.

O Jack fala sobre as pessoas que acreditam que o futuro próximo com IA vai ser “o fim”, mas ele discorda. Ao longo da apresentação, ele deu uma verdadeira aula sobre a história da mídia e destacou que, sempre que surge uma novidade, a humanidade entra numa fase de “preguiça coletiva” que ele chama de slob. 

É meio que a parada que a gente fala sobre o pânico do rádio morrer quando a TV surgiu, depois da TV morrer quando a internet surgiu e por aí vai. A gente se encontra nesse momento de pânico com relação à inteligência artificial. 

O palestrante deixa bem claro que não é contra IA, afinal, é dono de uma empresa de tecnologia. Mas ele aponta a contradição entre fazer acordos bilionários com grandes empresas, enquanto não reconhece financeiramente os creators. 

Ele diz: tenha pavor, mas use esse pavor para ser tão humano, tão estranho e tão ineficiente que a IA pareça um robô de telemarketing perto de você.

O grande final
A arte é escassez. Se a IA produz abundância infinita, ela desvaloriza o produto, mas valoriza o processo. O Jack Conte deu a permissão que faltava pra parar de tentar “vencer o algoritmo” e começar a “vencer a indiferença”. Se a máquina é lógica, seja absurdo. Se a máquina é rápida, seja artesanal.

E foi isso que ele fez: ELE FOI ABSURDO! SEM LÓGICA E COM LÓGICA. 

Ele deu uma volta enorme, trouxe Chaplin, chorou pelos músicos e listou o burnout de tarefas para dizer que o sistema está colapsando, a IA está atropelando a técnica, mas se o creator parar por medo, vai morrer com o modelo antigo. E ele não prometeu que o medo vai passar, tá? Mas garantiu que, se você continuar criando coisas “difíceis” e “arriscadas” – as tais que a IA não faz -, você ainda terá um lugar, mesmo que o chão continue tremendo.

💡Bastidor YPX: Jack promoveu a venda por contexto
O Jack é um mestre do Branding de Salvação. Ele não precisou falar “Patreon” nenhuma vez porque ele passou a palestra inteira vendendo o problema que só a plataforma dele resolve.

Ele usa o medo da IA para criar uma urgência. Ao listar aquela metralhadora de tarefas que o criador tem que fazer hoje, ele reforça a dor. E qual é a solução implícita para essa dor? Sair da dependência das visualizações (que a IA vai canibalizar) e focar na escassez da relação humana — que é exatamente o que o Patreon monetiza.

Ele vende a ideia de que o Patreon é uma empresa “feita por artistas para artistas”. Isso é branding puro. Ele quer que você sinta que, ao usar a plataforma dele, você está fazendo parte de uma resistência cultural, e não apenas usando um processador de pagamentos.

Quando Jack descreve o caos da IA e a falência do modelo de distribuição (redes sociais), ele tá sutilmente empurrando todo mundo para o modelo de assinatura direta. O argumento é: 

“O mundo lá fora está pegando fogo, o algoritmo não te ama, a IA vai te copiar… então venha para o meu cercadinho onde seus fãs pagam direto para você e eu fico com uma porcentagem.”


✨ Insight do Sebrae ✨

Existe hoje um certo sentimento de desesperança entre creators, artistas e empreendedores porque a tecnologia avançou a ponto de parecer que tudo pode ser automatizado. Mas, paradoxalmente, quanto mais tecnologia temos, mais valioso se torna aquilo que é profundamente humano.

Ferramentas de IA estão disponíveis para todos, então a verdadeira diferenciação não está mais na tecnologia em si, mas na perspectiva, na experiência e na sensibilidade de quem cria.

O empreendedor que entende isso para de competir com a máquina e passa a usar a tecnologia como ferramenta para amplificar a própria voz. No fim das contas, o que continua sendo insubstituível é aquilo que vem da vivência humana: repertório, cultura, intuição e a capacidade de gerar conexão real com as pessoas.


Como creators podem alcançar a Gen Z e a Gen Alpha

Quatro mulheres pautaram a discussão desse painel, a partir de uma premissa que a gente precisa entender a partir de agora: tudo o que a gente chama de “digital”, pras gerações mais novas é nativo. 

Isso porque a gente tá falando de uma geração que cresceu usando as primeiras redes sociais (Z) e outra que nasceu, literalmente, dentro da Creator Economy (Alpha). 

São mais de 2,2 bilhões de pessoas  que acompanham creators desde pequenos, então o poder de influência é real. Uma recomendação não parece publicidade, mas sim, uma dica sincera de alguém que faz parte da sua comunidade. 

O painel reforça que essas gerações desenvolveram um radar muito sensível pro marketing forçado, por isso, as marcas precisam abrir mão do controle total das narrativas, porque creators contam histórias melhor do que elas sozinhas. 

“Medidor de autenticidade” foi o termo lançado pelas palestrantes para explicar a relação entre essa audiência jovem e os creators. Vale destacar que a Gen Alpha sequer liga pra celebridades – pra essa turma, a referência mesmo é o creator. Eles cresceram assistindo essas pessoas todos os dias, então se consideram muito próximos. Mas, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades: se o creator recomenda algo ruim, a confiança vai embora rapidinho. 

O YouTube é a porta de entrada
Enquanto a Gen Z ainda se apoia muito em Instagram e TikTok, a Alpha acompamnha creatos, canais e comunidades desde cedo – tanto que mais da metade descobre marcas pelo YouTube. 

Nota do editor: meu sobrinho, de 7 anos, não sabe o nome de quase nenhum canal de TV aberta ou fechada, porque ele só consome YouTube desde que nasceu. A responsabilidade de pautar assuntos, ensinar, informar, entreter e tudo mais saiu das mãos da televisão tradicional e caiu no colo dos creators. 

No resumão de ontem, o Sebrae destacou a força das relações a longo prazo no empreendedorismo – o marketing segue a mesma lógica na Creator Economy: creators que crescem junto com a audiência, e marcas que os colocam como parte da estratégia, constroem confiança.


Como encontrar ideias melhores pra conteúdo

Jon Youshaei, YouTuber, abriu a cozinha e mostrou todo o processo que usa pra criar vídeos que performam, juntando a experiência dele como insider das plataformas e como creator.

A ideia é desenvolver um processo replicável pra crescer em todas as plataformas, ao invés de depender de inspiração ou sorte. Por exemplo: você conseguiria desenha sua ideia num guardanapo, ou mostrar uma foto ou objeto pra descrevê-la? 

Se sim, provavelmente é um bom vídeo. 
Se não, talvez funcione como texto.

A retenção é nos primeiros 3 segundos?
Pro Jon, é no segundo zero, logo no primeiro frame. Ele diz que, só de assistir o primeiro quadro sem som, o público já deveria entender o vídeo.

Truques pra isso: usar objetos físicos e mostrar o conflito no primeiro frame. 

Procure os outliers do seu nicho
Sabe aquele canal com 20 mil inscritos que lança um vídeo que bate 2 milhões de views? É nesses que você deve se inspirar. Pra isso, procure de 1 a 3 palavras-chave relacionadas com a sua ideia; filtre por “view count” e depois por “anytime”; clique nos primeiros vídeos e compare views x nº de inscritos.

Por fim, ele diz que muitos creators travam porque tentam alcançar um resultado impecável. Pra combater, se pergunte: tô tentando melhorar isso porque vai ser bom pro meu público, ou pra alimentar o meu ego?


Do prompt à publicação: ferramentas de IA para o creator moderno

Bree Hall, da Atlassian, lançou um workshop de planejamento de conteúdo pra gente parar de brigar com o bloqueio criativo. Mas dois dados chamaram a nossa atenção:

Tem mais gente com burnout do que sem
Entre 62% e 90% dos creators dizem já ter enfrentado burnout, por pressão de algoritmo, fadiga criativa e cargas de trabalho insustentáveis. E a consequência disso podem ser quedas de produtividade de até 52% (Fonte: Sozee).

Creators gastam metade do tempo só produzindo
Hoje, cerca de 50% do tempo de um creator vai para criar conteúdo, enquanto o resto se divide entre distribuição, marketing e vendas. E cada troca de contexto pode reduzir 40% do fluxo produtivo (Fonte: Whop).

Resumindo a metodologia em 3 passos:

👉 Criar seu Content OS: um “cérebro” de IA que entenda o seu conteúdo

👉 Da ideia à execução: transformar fragmentos em um conteúdo pronto, sem travar na frente da página em branco

👉 Fazer o conteúdo durar mais: usar dados e Ia pra desdobrar uma boa ideia em vários conteúdos

E a gente trouxe o link do Notion que foi usado pra você fazer as atividades à distância: Clique aqui.


Esse foi o resumão do último dia da trilha de Creator Economy do SXSW. Valeu por acompanhar com a gente e até 2027! Pra aprofundar os assuntos que a gente ouviu no festival, fique de olho no @instayoupix!

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